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Vanderlei
Cordeiro de Lima
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inicia a temporada 2004 com uma grande apresentação na Alemanha Vanderlei Campeão da Olympus Hamburg Marathon
Hoje Vanderlei não vai permitir os Kenianos abrirem.
Um cara que gosta do campo Engana-se quem imagina que a rotina deste maratonista é monótona, resumindo-se apenas às atividades de treinos diários e descanso para as próximas seções. Quem conhece Vanderlei na intimidade sabe que o dia-a-dia deste atleta é agitado e ele realmente não consegue ficar parado por muito tempo. Ele está sempre inventando, plantando, reformando, empenhando todo mundo a fazer algo e acompanhando tudo de perto, frequentemente encara o pesado, com certeza, ele herdou muito do pai que era da agricultura. Vanderlei segue a tradição zelando pela sua pequena área construída com muito suor. Há uns 900 km de distância, seu técnico Ricardo deve ficar com as orelhas em pé, mais conhece muito bem seu atleta e consegue planejar seus ciclos levando tudo em conta. Desta vez, Vanderlei vai ter que deixar seu sítio e enfrentar por 45 dias as montanhas de Paipa, Colômbia - 2700 metros acima do nível do mar. Antes de subir, a agenda marcava algumas sessões de rodagens curtas e leves, já que ele vinha de um descanso de três semanas. Ele rodaria algumas semanas nos arredores do sítio em Cruzeiro do Oeste, mais no final da segunda, deu azar ao entrar muito rápido no carreador com sua motocicleta sofrendo uma queda. Isto resultou em imobilização do ombro e do braço esquerdo, ficando proibido pelo médico de correr por três semanas.
"sangue-frio" Tivemos a oportunidade de vê-lo algumas vezes durante estes dias e Vanderlei apresentou uma característica muito rara de ser encontrada em atletas que estão sofrendo a conhecida pressão psicológica em inícios de temporadas em que o alvo é conseguir qualificação para estar na Olimpíada - ele não demonstrou nenhum stress com a situação e manteve o foco na recuperação completa, sem inventar e tentar voltar antes do parecer médico. Depois de quinze dias parado Vanderlei, ainda engessado, escolhe as curiosas engenhocas fabricadas pelo Zé Jorge, para trabalhar a musculatura dos membros inferiores. O local é rústico, simples e dispõe de uma esquisita esteira mecânica, bicicletas ergométricas, step, remo, todos aparelhos improvisados, fabricados com reaproveitamento de peças pelo veterano fanático corredor- ferreiro-soldador e seu amigo pessoal Zé-Jorge.
Será que é região de Paipa mesmo??? este é mais um free download e dá pra ver que o local é perfeito para a rodagem. Vanderlei ensina que o tecido muscular é bem exigido neste tipo de ambiente, assim como todo o metabolismo que sofre a carga com menos oxigênio, provocando respostas orgânicas que elevam a aptidão física na maioria das vezes. Raramente alguém no circuito internacional entra numa maratona forte sem ter passado pelo menos 6 semanas acima dos 2500 metros. Vanderlei teria que se contentar com o curto período em que esteve em Paipa e mesmo sem uma base adequada vai ter que descer em Hamburgo-Alemanha, pelo menos com a mesma taxa de hemoglobina dos Africanos... Rômulo já é veterano em Paipa e recebeu seus parceiros, Vanderlei, Fernando Alex e Elias Bastos, todos eles feras do atletismo nacional - eles dividem uma casa na simpática cidade Colombiana. Experiente, Vanderlei levou muito feijão na mala e encara os afazeres domésticos após as sessões de rodagens e intervalados em uma ótima pista de atletismo local.
A vida é bem calma nesta cidade Colombiana, os preços são semelhantes ao nosso e os atletas brasileiros são bem recebidos pelos moradores. Na feira popular da cidade se encontra de tudo. Rômulo e Vanderlei conseguem sempre negociar por descontos com os comerciantes colombianos. Vanderlei e seus parceiros treinam sossegados e Rômulo é o primeiro a descer, ele voou para a Holanda, local em que dias depois fechou brilhantemente os 42 km da Fortis Rotterdan Marathon em 2h11 e está no páreo, até agora com a terceira melhor marca para Atenas. |